Samba-enredo é filosofia

Samba-enredo é filosofia
Detalhe do desfile carioca de 1966 (Foto: Arquivo Nacional/ Fundo Correio da Manhã)
  O samba-enredo é filosofia e a filosofia é samba-enredo! Nessa metafísica sonora temos o conceito de melodia-fluvial. Acordes dissonantes se tornam substâncias afluentes sem nascente e sem foz. É um devir-setor que toma conta de toda atmosfera. Cada refrão se torna uma emanação-povo que faz uma Crítica da Razão Vadia, rompendo com os limites do entendimento e, com isso, as formas-embriagadas-da-imaginação apresentam ao espírito solfejos existenciais. Nesse contexto, penso a importância de um Silas de Oliveira, que considero não apenas um nome, mas um movimento filosófico que chamo de silasismo. Assim, há uma nova filosofia da história por meio da introdução de uma temporalidade que ronda uníssona nos batuques e que é protegida pelos afetos. O silasismo é o transcendental! Desse modo, a transcendência torna-se presente em uma nova concepção de movimento. Na passagem singela de um lalaiá, nas bifurcações de um ôôô instaura-se uma magia que só o samba-enredo pode produzir no espírito. Os zigue-zagues de suas rimas-beco deslizam na pista e trabalham com forças-passistas. É toda uma escritura com os pés de Um Mundo Como Vontade de Cantar. O samba-enredo trouxe para a filosofia contemporânea uma corrente de pensamento que chamo de empirismo lírico, na qual me incluo junto com os filósofos Martinho da Vila, Zuzuca, David Corrêa, Beto Sem Braço, Aluísio Machado, Hélio Turco, Zé Katimba, Toco, Cabana e Edeor de Paula. A questão de ordem é criar ou morrer! É preciso sair do clichê, experimentar e inventar se conectando,

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