Estante Cult: Leta Hong Fincher, Audre Lorde, Peter Handke

Estante Cult: Leta Hong Fincher, Audre Lorde, Peter Handke
A jornalista Leta Hong Fincher, autora de um livro sobre feminismo chinês lançado no Brasil em 2019 (Foto: Wiki Commons)

 

Resistência feminina

A jornalista e pesquisadora Leta Hong Fincher, que já escreveu para grandes veículos como o The New York Times e o Washington Post, teoriza nesta obra lançada na China em 2018 sobre como o maior oponente do regime autoritário chinês no século 21 são as mulheres. Por meio de entrevistas com cinco ativistas feministas que, no Dia Internacional da Mulher em 2015, foram detidas e permaneceram presas por 37 dias, entre outros ativistas chineses, a obra traça a importância do movimento para a construção do pensamento chinês contemporâneo.

Enfrentando o dragão
Leta Hong Fincher
Tradução
Daniela Belmiro
Matrix
264 páginas – R$54

Razões e desrazões

Nesta nova edição de Interfaces da psicanálise, originalmente lançado em 2002 por Ricardo Mezan, a editora Blucher revisita as ligações que o psicanalista faz entre conceitos concretos e abstratos na geometria e informática e as razões e desrazões da mente humana. Dividido em três partes, o livro explora facetas diferentes da psicanálise: sua história, seus entornos culturais e sociais e questões relativas a seu ensino universitário. Uma obra para especialistas, estudantes e entusiastas da área.

Interfaces da psicanálise
Renato Mezan
Blucher
592 páginas – R$135

Fora da caixa

Seguindo sua tradição de escrever sob a perspectiva peculiar de um homem japonês e católico praticante, Shusaku Endo fez uma espécie de autoficção em Escândalo. Lançado originalmente em 1986, o livro se passa em Tóquio conta a história de um velho escritor cristão que sofre com a perspectiva de ainda não ter escrito sua obra-prima. Durante o lançamento de um dos seus livros, ele é abordado por uma mulher de quem não se lembra mas que diz o conhecer e, na ânsia de descobrir a verdade, se arranca de sua zona de conforto. 

Escândalo
Shusaku Endo
Tradução
Mário Vilela e Aline Storto Pereira
Tusquets
256 páginas – R$59,90

Peter Handke (Divulgação)
Peter Handke, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2019 (Foto: Divulgação)

Ensaios premiados

Em homenagem ao Prêmio Nobel de Literatura recebido pelo austríaco Peter Handke em 2019 (apesar das diversas críticas enfrentadas pelo mesmo por seu apoio ao líder sérvio Milosevic nos anos 1990), a editora Estação Liberdade lançou edições de dois de seus livros mais recentes: Ensaio sobre a jukebox e Ensaio sobre o louco por cogumelos. Em ambos, Handke reflete sobre pequenas coisas em metáforas de suas próprias limitações pessoais e profissionais.

Ensaio sobre a jukebox
Peter Handke
Tradução
Luis S. Krausz
Estação Liberdade
112 páginas – R$38

Ensaio sobre o louco por cogumelos
Peter Handke
Tradução
Augusto Rodrigues
Estação Liberdade
160 páginas – R$44

Brasil em azul e vermelho

Esta reunião de artigos, organizada pelos professores e pesquisadores Marta Arretche (USP), Eduardo Marques (USP) e Carlos Aurélio de Pimenta Faria (PUC-MG) examina a situação política do Brasil desde a redemocratização com enfoque na ação de dois partidos ao longo das últimas décadas: PT e PSDB. As políticas públicas, as questões ligadas à proteção social dos partidos, a questão tributária, a desigualdade social e econômica – tudo é levado em conta para entender o contexto que levou o país à polarização que ele enfrenta hoje. 

As políticas da política
Marta Arretche, Eduardo Marques e Carlos Aurélio Pimenta de Faria (orgs.)
Editora Unesp
478 páginas – R$78

Poesia melancólica

Vencedor do Prêmio APCA de Melhor Livro de Poesia em 2019, o poeta carioca Carlos Cardoso reúne seus pensamentos de desalento e tristeza na obra Melancolia, coleção de poemas profundamente pessoais. Neste livro, o poeta continua mantendo o diálogo de seu trabalho com as artes visuais: a capa é assinada pelo pintor e escultor gaúcho Carlos Vergara.

Melancolia
Carlos Cardoso
Record
112 páginas – R$32,90

Primeiro e último contato

Aos 17 anos, Fernanda Young estava apenas começando a construir a carreira que um dia a consagraria como uma das grandes roteiristas, escritoras e atrizes contemporâneas do Brasil. Foi com essa idade, em 1987, que ela escreveu seu primeiro romance, Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar, que curiosamente também foi o último em que trabalhou antes de seu triste falecimento em 2019. O romance inédito, que discute os dilemas morais e familiares de uma jovem Young, foi publicado pela editora LeYa no ano passado.

Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar
Fernanda Young
LeYa
160 páginas – R$45

O leitor como sujeito

As pesquisadoras especialistas em literatura Marisa Lajolo e Regina Zilberman revisitam a história da leitura no Brasil neste livro originalmente lançado em 1996. As autoras se inspiram no pensamento crítico de Antonio Candido para entender o leitor como um sujeito tão importante quanto o autor e a obra na atuação e historicidade da literatura no Brasil. Nisso, são discutidas questões como a difusão da escola, a alfabetização das populações urbanas, a emergência da ideia de lazer e a ampliação do mercado literário.

A formação da leitura no Brasil
Marisa Lajolo e Regina Zilberman
Editora Unesp
468 páginas – R$74

A poeta e ativista norte-americana Audre Lorde (Foto: Divulgação)

O olhar de fora

O livro Irmã outsider reúne 15 ensaios da poeta e ativista Audre Lorde sobre questões que sempre rodearam sua vida e trabalho: as estruturas desumanizantes do racismo e machismo, o imperialismo, a violência policial, e os movimentos pela igualdade como um todo. Lorde se define como “outsider” por estar de fora do que ela chama de “norma mítica”: branca, heterossexual, magra. No livro, ela destaca como só uma visão de fora é capaz de achar novas perspectivas que podem transformar a sociedade. 

Irmã outsider
Audre Lorde
Tradução
Stephanie Borges
Autêntica
240 páginas – R$49,80

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