especial | Estética enigma

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especial | Estética enigma
(Foto: Off Cina Fotografia/Acervo MUI.TA)
  Itamar, a linha que te magnetiza e integra é o novelo negro. A que você espezinha é a padronizada como MPB, talvez outrora inventiva e logo ratificada por quem rejeita o que destoe da mesmice. Apesar de dominar e pinçar miudezas dali, você desacata caciques, papas e doutrinas no teu texto sonoro, verbal e teatral. Tua lábia contundente é matreira. Teus golpes malacos, fintas no caos e tensões na hipnose não se adequam a anseios de representatividade anestesiada, mesmo que brilhosa, numa vitrine qualquer. Você orienta sobre limites e frouxuras de nossas reivindicações e aspirações, zoa embustes mercadológicos e politiqueiros, repica sobre a mediocridade confortável das estéticas previsíveis em nome de uma bandeira. Eta, Ita: salve a confusão que você fertiliza. Teu dilema fundamental: desejar ser compositor popular e permanecer radical nos experimentos do teu cultivo, não se vergando um milímetro a gostos de encomenda. Mantém a convicção criativa num tabuleiro cunhado pelo simplismo lucrativo. Ei Beleléu, ei Desventura Calvário da Cruz, ei Nego Dito, ei Pretobrás. Ói você réu encarnando tribunais estarrecedores na rua, no palco e no vinil. Ói tu se defendendo sonoro da lei e da turba. “Da canga meu som me abole.” É? O Poder Jurídico da comarca aqui perfaz o tripé institucional da mortandade escravista, com o Econômico e o Médico. E amém. Moendas do terror. E você ali no cerne do desespero, diante de Excelências e Merítissimos, em tretas de arranque com a Luzia ou a Estropício. Desquite? Navalha na liga, no caricatura

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