Dona Ivone Lara, amor é meu ambiente

Dona Ivone Lara, amor é meu ambiente
(Foto: Acervo da família/ D. Ivone Lara)
  Quem não conhece Dona Ivone Lara? Lembro do Carnaval no Rio de Janeiro, dos blocos, das rodas de samba, das quadras das escolas de samba… “Saudade, amor, que saudade!/ Que me vira pelo avesso/ E revira meu avesso/ Puseram uma faca em meu peito/ Mas quem disse que eu te esqueço/ Mas quem disse que eu mereço.” De repente alguém cantava “Saudade, amor, que saudade!” e já estávamos em coro: “Tristeza rolou dos meus olhos/ De um jeito que eu não queria/ E manchou meu coração/ Que tamanha covardia/ Afivelaram meu peito/ Pra eu deixar de te amar/ Acinzentaram minh’alma/ Mas não cegaram o olhar”. Dona Ivone tem a capacidade de reunir e de fazer cantar junto, como se todos já se conhecessem e soubessem muito bem que “A vida foi em frente/ E você simplesmente não viu que ficou pra trás”. Quem não conhece Dona Ivone? Não apenas conhecemos, mas cantamos juntos, íntimos. Nos olhamos e nos reconhecemos. O samba de Dona Ivone é uma experiência comunitária! Quando estávamos juntos cantando (gritando!) “Recomeçar, jamais/ A vida foi em frente/ E você simplesmente não viu que ficou pra trás”, reexperimentávamos comunitariamente certa tristeza e odiávamos, relembrávamos com fúria para, então, “renascer das cinzas”, “Minha alegria voltou/ Brilhando no alvorecer/ Quando deixei de amar/ E esperar por você”. Partilhávamos certo ódio e fúria e nos curávamos juntos – mesmo que apenas por algum tempo. Naquela época, o ódio e toda aquela fúria me chamavam tanta atenção. Mas gostaria de falar um pouco do am

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