A ameaça dos foguetes

A ameaça dos foguetes
(Arte Revista CULT)
  “O dilema político que ficou para as nossas comunidades que sobreviveram ao século 20 é ainda hoje precisar disputar os últimos redutos onde a natureza é próspera, onde podemos suprir as nossas necessidades alimentares e de moradia, e onde sobrevivem os modos que cada uma dessas pequenas sociedades têm de se manter no tempo, dando conta de si mesmas sem criar uma dependência excessiva do Estado”, sintetizou Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo. Ele não está falando especificamente sobre Alcântara, no Maranhão. Mas está também falando sobre Alcântara. Em 1980, ainda no regime militar, 312 famílias quilombolas foram levadas de seus territórios para agrovilas afastadas do mar, sem rios, igarapés ou florestas de manguezais. Perderam seu modo de vida, seu sustento econômico, seus vínculos comunitários e 53 mil hectares de terra para a construção do Centro de Lançamento de Alcântara. Em 1991, mais 10 mil hectares foram desapropriados. E há 38 anos, esse centro funciona sem licenciamento ambiental, sem estudos de impacto e sem entregar as benesses prometidas. Desde 2003, a base está subutilizada, depois da explosão de um veículo lançador de satélites na qual morreram 21 pessoas. Em 2004, o Brasil ainda assinou um acordo com a Ucrânia para utilizar a base. Foram gastos 500 milhões de reais e, em 2015, a parceria foi encerrada antes de qualquer efeito positivo. Já nas famílias desapropriadas, pesquisas antropológicas registraram adoecimento físico e mental, migração para as periferias de São Luís, desemprego, pobrez

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